23.11.09

Assim que eu gosto!

mandei um email pra Nestle parabenizando pela qualidade dos chocolates, a caixa de bombons Especialidades tá sempre uma diliça. A questão é: por que a hegemonia preta? Apenas 1 reles bombonzinho branco?? Eis a resposta:

Analiza

Agradecemos sua simpática mensagem com elogios à caixa de Especialidades Nestlé. É gratificante receber manifestações como a sua.

Quanto a sua observação, gostaríamos de comentar que nossos procedimentos industriais foram estabelecidos de tal modo que toda caixa traga uma quantidade determinada de bombons de cada variedade, sempre totalizando 400 gramas.

Algumas vezes, porém, por motivos técnicos, é necessário alterar o número de cada variedade. É por essa razão que no fundo de todas as caixas de Especialidades consta a seguinte observação: "Ocasionalmente poderá ocorrer a falta de alguns dos bombons listados acima, que serão substituídos por outro de igual qualidade".

Para definir a quantidade de cada bombom são realizadas pesquisas de mercado, testes de degustação e análise das manifestações espontâneas recebidas, sempre visando atender às expectativas dos consumidores.

A distribuição dos bombons agrada mais ou menos a determinado consumidor, conforme suas preferências pessoais. Por isso os ajustes são contínuos e o mix pode mudar sempre que percebermos um modo melhor de satisfazer nossos consumidores.

Saiba que sua manifestação será encaminhada às áreas de interesse para conhecimento e consideração.

Reiteramos nossos agradecimentos e temos certeza de poder contar com sua compreensão.

Atenciosamente,

SERVIÇO NESTLÉ AO CONSUMIDOR

20.11.09

Tem outro lugar?

Isso aqui tá paradinho, né?
Minha vida não.
Correria no trabalho, preguiça de PC em casa, fins de semana na casa dos amigos.
E o dia-a-dia tá me assustando, sabe? Não o meu, mas o do mundo. É mulher apedrejada por usar minissaia, é ex-professora aplaudida por mostrar o que tem embaixo da calcinha toda enfiada, traficante derrubando helicóptero, é policial roubando um cidadão engajado e atingido por tiros...
Meu filho nasce em abril, será que ainda dá tempo de achar outro mundo pra ele viver?

30.10.09

30 dicas para escrever bem

Autor: Professor João Pedro da UNICAMP

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero
excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??...então valeu!

9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante. (Esta é a minha favorita... EU ODEIO GERUNDISMO!)

29. Outra barbaridade que tu deves evitar é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo! ..nada de mandar esse trem...vixi..entendeu bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

22.10.09

Mudança de hábito

Último trimestre do ano chegou. Coisa boa, já começam os planos para o verão, as viajens de férias, a compra do material escolar do ano que vem... E isso tudo me lembra as festas. Confraternização da empresa, fim de ano no colégio, Natal, amigo secreto, ceia de Ano Novo... O que nos remete quase que diretamente a um assunto também recorrente dessa época do ano: a etiqueta em eventos sociais. Ou a falta dela.
Todo mundo tem aquela tia (normalmente gorda) que fala alto, gesticulando tal qual um polvo, pegando a comida com as mãos e fuçando no prato alheio? E aquele tio querido que enche a boca de comida e desanda a conversar antes de engolir? De vez em quando ele até abaixa um pouquinho o rosto, só praquele excesso de farofa voltar pro prato. E os primos que enchem a cara e ficam dando cantada nas tias?
Tem também os colegas de trabalho que dão aqueles presentinhos idiotas no amigo secreto? Caixa de camisinhas de chocolate para a moça do financeiro, calcinha sensual para a senhora do almoxarifado, charuto que explode para o chefe.
Pelamordedeus, usa o cérebro! Qual é a graça de fazer um colega (que provavelmente só fala contigo por causa da empresa) passar essa vergonha? Por educação, a criatura vai dar um sorriso amarelo e te agradecer, mas no fundo a vontade é dar um pescotapa de mão aberta e afrimar categoricamente que a culpada é a mãe do desgraçado, que não soube fechar as pernas.
Enfim: essa época sempre faz a gente ficar mais carinhoso, caridoso, emotivo. Seria legal se as pessoas optassem também por ficar mais racionais!

13.10.09

Nhoque de arroz, recheado

Antes que algum engraçadinho venha falar, o nhoque é recheado, não o arroz. Massa feita com arroz, recheio fica a seu critério. Eu usei queijo, ficou mara. Vamos aos ingredientes:
- 2 xícaras de arroz cozido – use sobras!
- 2 ovos – sem casca
- 2 xícaras de água
- tempero verde a gosto
- noz moscada, pimenta do reino ou o que lhe aprouver
- sal (pouca coisa)

- 10 colheres de farinha

Modo de preparo
bata no liquidificador os ingredientes (exceto a farinha) até que se transforme em uma massa uniforme. Despeje o líquido em uma panela, acrescente a farinha e leve (a penela com o conteúdo, é bom que se explique bem) e leve ao fogo (preferível que seja no fogão). Mexa bem com uma colher grande, assim que começar a ferver vai engrossar horrores. Assim que desgrudar do fundo da penela, deslique o fogão – ou sopre até que se apague a fogueira.
Passe o conteúdo da panela para uma vasilha maior, para que esfrie mais rápido.
Vai demorar um pouco pra esfriar, então quem sabe você aproveita e lava a louça?
Quando a massa estiver morna (ou fria, tanto faz) é hora de diversão. Separe o recheio (queijo, presunto, legumes cozidos e picadinhos, tofu, carne moída, etc).
Trabalhe a mssa com um pouco de farinha até que seja possível abrir em rolinhos e cortar os nhoques sem que grudem muito nas mãos. Ah, uma coisa: não é obrigatório rechear. Do jeito que está, é só cortar as bolinhas e cozinhar, como um nhoque normal. Mas a intenção é rechear, né? Então bora. Vou ensinar a fazer o primeiro, depois você se vira:
Separe um punhado da massa, tipo uma colher de sopa cheia (de massa, não viaja!) e faça uma bolinha com a palma da mão. Introduza o rechegio (no caso do cheijo, senão é melhor abrir um pouquinho a massa) e depois feche com cuidado, lembrando que essa bolinha vai ser cozinha em uma panelona de água fervendo e o recheio não pode escapar. Faça isso com toda a massa, quem inventa aguenta.
Para cozinhar os nhoques, use a maior panela que você tiver – mas não precisa exagerar. Uma de 5 litros já tão bom, o ideal é que seja alta. Encha de água (não até a boca, senão vai dar merda). Uma colher de sal e deixe ferver, então vá colocando os nhoques pra cozinhar. NÃO MEXA na água, senão vai dar merda. O nhoque está cozinho quando sobe sozinho, aí você retira da panela e deixa em um escorredor. É legal que ele faça um pit stop em água gelada, pra cortar o cozimento, mas este passo não é obrigatório.
E era isso, taca molho em cima, queijo ralado, forno pra gratinar ou microondas pra esquentar, sirva-se e coma á vontade, porque comer sem culpa não engorda! (a não ser que você exagere)

29.9.09

Quem com ferro fere, com bengala será ferido

Existe um fenômeno interessante que permeia a vida dos cegos e surdos. Vou falar especificamente de cegos e semicegos aqui, mas tenho plena certeza de que o mesmo acontece com os surdos – de qualquer forma, depois vou perguntar pro designer aqui da agência, que é mono.

As pessoas que nos rodeiam acabam se convencendo de que conhecem todas as nossas deficiências, eficiências e necessidades. Com o tempo, ficamos à vontade umas com as outras, brincadeiras surgem, isso é normal e muito saudável. Mas aqui começa o excesso de liberdade.

Achando que conhecem os limites, algumas pessoas “aproveitam” pra fazer comentários jocosos em tom baixo, trocam sinais e apontam pra o tal cego, riem pelas costas. Pra vocês terem ideia, tem gente que troca meus óculos de posição – e eu sempre deixo no mesmo lugar pra poder achar -, já tiraram coisas da minha bolsa. Seria engraçado, de repente é engraçado pra quem faz esse tipo de “brincadeira”.

Mas será que tais “brincalhões” já se colocaram no lugar do cego? Já pensaram que isso é uma puta humilhação?

E lá vai a Ana se sabotar: cegos e semicegos escutam muito bem. Bem até demais. Brinco que nosso sexto sentido é o quinto: pela falta de visão, somos muito mais sensíveis, percebemos gestos e movimentos.

Traduzindo: não se iluda babaca, eu sei o que você tá fazendo. E não acho graça.

24.9.09

Apimentando

A oportunidade de escrever pro Pimentas no Reino caiu do céu. Tá certo que eu me ofereci loucamente, mas o que importa é que tá dando certo. O site é muito bacana, muito visitado, muito divertido, MUITO legal! Existe todo um cuidado com as postagens, imagens, textos e vídeos, e comunicação intensa entre os redatores. A-D-O-R-O-! E a responsabilidade de 3 textos semanais me atrai. Gosto do desafio, de ser cobrada, se trabalhar sob pressão - ou vocês acham que aqui na agência é tudo muito tranquilo? Mantenho uma espécie de diário anacrônico sobre minha gravidez, volta e meia escrevo um conto pro meu projeto com a Tônia (pqp, que saudade da Tônia), escrevo pros blogs, pra coluna, twitto, cuido da casa, do Jason, do bebê e de mim. Ainda tá sobrando tempo pra dormir!! \o/rmir!

23.9.09

Voltando ao tema recorrente

Título redundante? É porque no Brasil tudo redunda. Ou tudo rebunda, depende do teu interesse, localização geográfica e período do ano.
Na época das férias políticas e escolares – de dezembro até a tarde da quarta-feira de cinzas – tudo é bunda. Praia, carnaval, trio elétrico. Peito, bunda e cerveja. Se bem que, pra política, sempre é bunda: a nossa. Engula, digira e defeque como melhor lhe aprouver.
No norte/nordeste normalmente é bunda também. Da mulata, da negra, das crianças que se prostituem. Nas praias cariocas idem. Bunda, bunda e mais bunda. Pra que cérebro, se minha bunda é bonita? Vou ficar loira pra me destacar e malhar bunda, casar com um cantor de funk e engravidar de um jogador de futebol.
Mas o que realmente redunda é a história. Desde que a Coroa Portuguesa fugiu pra cá em 1808 a coisa se repete. Babamos o ovo do que vem de fora, maquiamos a parte bonitinha das cidades e cagamos nas periferias, já que tem emissários terrestres e submarinos pra mandarem nossos dejetos pro mar e pros rios. Sustentamos economias que não nos dão retorno nem respeito e não damos a devida atenção a quem nos sustenta.
Sabe o que me irrita mais? A gente tira sarro da gente mesmo pros outros darem risada.
“baiano é tudo preguiçoso”. E teria prédio em São Paulo?
“gaúcho é tudo viado”. E teria casamento heterossexual no Rio Grande do Sul?
“carioca é tudo malandro” que recai no “favelado é tudo bandido”. Bela generalização, né? Quer dizer que as coordenadas geográficas de nosso local de nascimento determinam nosso caráter?
E a cor da pele, e a religião, e a orientação sexual, e o time que torço. Por que diabos tudo tem que virar piada nesse país?

16.9.09

Só sei que sou assim

A entrevista da Pitty no Irritando Fernanda Young foi morna. Me pareceu que a Young tava com medo de tomar nos dedos, e a Pitty se mostrou super suscetível a brincar. Entre altos e baixos, um ponto me atraiu: a Pitty dizendo “eu pago muito caro por ser eu mesma”.
Engraçado o preço alto que a gente tem que pagar pelo que já tem: autenticidade. Você já tem atitude, autoestima, princípios e objetivos, e precisa provar o tempo todo que é assim porque simplesmente assim o quis. Não é pra ser parecido com ninguém (G-Zuis me livre de ter a alma padronizada) ou pra chamar atenção.
Eu uso minissaia com bota de salto porque gosto, to nem aí se aqui na cidade as meninas preferem usar chinelo. F-o-d-a-s-e quem acha “ai Ana, mas aqui ninguém usa”. E daí? Ninguém usa camisinha, você vai arriscar sua vida numa trepada por causa disso?
Esses dias uma pessoa semidesconhecida me diz no Orkut: ai que legal, você ta grávida igual à Ivete Sangalo”. Não to não. Ela ta obesa e quase parindo, eu to com 11 semanas. Posso vir a ficar obesa no fim da gestação, mas certamente não será por inveja da levantadora de poeira. Aliás, não existe uma “Liga Mundial das Grávidas”, não sei falar da barriga da Bünchen, da Ingrid Guimarães ou sei lá mais quem. Aliás, de fofocas eu só sei que uma conhecida biba teixeirense foi flagrada “no ato” com um semidesconhecido em uma casa noturna que não freqüento. (certamente ficará muito famoso quando descoberto)
Fofoca não me interessa, esportes me interessam. Acho o futebol do Tevez admirável, e to dumping’n’walking se ele dança ou é feio. Não me interessa se a cantora que eu gosto é sapata ou usa bolsa de colostomia. Não vi o final da novela e nem o início da nova (existe novela nova? Achei que fossem sempre os mesmos roteiros). Não tenho esse tipo de exemplos a seguir.
Sigo minha conciência, o aprendizado que a vida me dá, as sábias palavras das admiráveis mulheres e homens fortes da minha família.
Aprendo com exemplos da vida real. Se a única saída for seguir exemplos inventados, eu inventaria os meus. A gente tem neurônios é pra usar. E foda-se quem não tem.

11.9.09

Eu não mudo.

Na maior parte do tempo eu to quase que insuportavelmente feliz. Dando risada de coisas bobas, recitando trechos do Chaves, Popeye, Pica-Pau, Tom & Jerry, e morrendo de rir antes, durante e depois da encenação.
Mas ainda sou a Ana, a Péssima que acorda de mau humor. E a maioria das coisas não mudam “porqueutôgrávida”. A casa não se limpa sozinha, a louça não se lava sozinha, a comida não se faz sozinha, as compras não brotam no armário porqueutôgrávida. Os cachorros não usam o banheiro, as contas não somem, aliás, elas se reproduzem! Obstetra, ultrassom, exames laboratoriais, roupas novas, sutiãs novos (provavelmente serei algo muito parecido com uma vaca leiteira dentro de poucos meses).
E o sono não me deixa ajudar meu dia-a-dia. Fora a falta de fôlego. É impossível escovar os dentes sem ficar com um pouco de falta de ar. Ando mais criativa, isso é fato, mas meus movimentos estão em marcha lenta. Vai ver é meu corpo se preparando pro sobrepeso.
O que mais me “cansa”, na verdade, são os pitacos de quem eu mal conheço. Tipo “aproveita pra dormir agora”, “curte tua cintura enquanto você tem”, “dorme de bruços enquanto consegue”. Valeu o incentivo aí! As pessoas que gostam de mim dizem “deita com as pernas pra cima um pouquinho, no horário do almoço”, “curte tua gravidez, é uma delícia mas passa muito rápido”, “aproveita cada fase, vai ser inesqueível”, “olha que bom, você ta se mantendo saudável”, “ainda ta muito cedo pra barriga, não dá bola pros neuróticos”. Aliás, que diferença faz pra um completo estranho saber se é menino ou menina? Nem eu sei ainda! E nem to com pressa de saber, saco.
Minha vida é a mesma, com as mesmas obrigações e deleites. A diferença é que agora tomo ácido fólico de manhã, no lugar do chimarrão.